quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A PARTE DIFÍCIL PARA SE SER SINCERO E JUSTO E PARA O SEREM PARA CONNOSCO…

Já aconteceu a qualquer pessoa: ter que comunicar a alguém uma falha, um defeito, um erro ou simplesmente algo de que não gostamos ou que foi mal feito por um amigo, um colega de trabalho ou mesmo um estranho.

Por um lado, surge a situação de quem tem de apontar o erro e contar a quem o fez da sua existência. Existe sempre algum desconforto e receio de ferir sentimentos. Afinal somos pessoas e não robots sem emoções. Acontecem hesitações, mesmo com a melhor das intenções, de provocar ressentimentos, pelo risco de se virarem contra quem sinaliza o erro. Ninguém quer ser apontado como “fiscal”, “bufo” ou “queixinhas”, mesmo no caso de se falar com a pessoa visada em primeira-mão e não soltar a informação pelos corredores dos boatos… Concerteza já qualquer pessoa teve que lidar com este dilema: como dizer aquela pessoa que errou? E se que esta leva a mal?

Ora, talvez seja útil colocarmo-nos no papel da outra pessoa. Quando nos reportam um erro que cometemos, essa verdade é dura, mas está lá. Não lhe podemos fugir eternamente e teremos que a enfrentar mais dia, menos dia, de uma forma ou de outra.... Porém, não gostamos, com razão, que essa descoberta seja publicitada como grande conquista por quem a sinalizou.

Podemos, sem dúvida, preferir que sejamos nós mesmos a dar conta dos nossos erros, de forma a, de imediato, os podermos emendar ou remendar, porém somos humanos e, por mais perspicácia, valor, técnica ou poder de análise que tenha uma pessoa, é humanamente impossível estar preparado para detectar todos os erros.

O que é certo é que, no fundo e no limite, todo o ser humano procura a verdade. Assim sendo, a solução poderá passar por pensar em como gostaríamos que nos comunicassem um erro que fizemos.

E o que pode fazer quem é acusado para aliviar o desconforto da situação? Preparar-se para enfrentar a sinalização de um erro cometido por si. Independentemente do erro, a reacção pode dar-se de várias formas: negar até à exaustão, acusar a outra pessoa de má fé, colocar o foco das culpas para outro lado, reconhecer, gerar soluções, etc. Cabe ao próprio escolher.

Uma equipa de trabalho de sucesso geralmente possui facilidade de diálogo, franqueza e abertura à mudança e à melhoria. Aqui é fundamental que cada elemento que receba a sinalização de um erro cometido por si, consiga ouvir, debater argumentos e reconhecer os pontos em que não tem razão (existem sempre, assim como os inversos). Para além de procurar conselhos sobre sugestões de melhoria e pensar conjuntamente em formas de o erro não se repetir no futuro.

No fundo, é imprescindível garantir que se constrói algo ali, que se ganhou qualquer coisa com aquele debate, que algo depois se passou a fazer de maneira diferente do que se fazia (relativamente ao erro).

Nestas situações é certinho que alguma coisa muda. Assim, o desafio é que mude de forma construtiva e para melhor! Para isso é vital que os líderes, gestores ou moderadores se agarrem construtivamente, com “unhas e dentes“, a factos e a conteúdos fundamentados. Se isso não suceder as pessoas fecham-se, confundem sinalização de erros com acusações e, assim sendo, passam a não querer “acusar” (se não forem acusados), nem admitem ser “acusados” (visto que não acusaram antes).

Quem não arrisca, pode errar menos vezes, porém os erros que cometer serão constante e inevitavelmente sempre os mesmos erros… Se é humanamente impossível nunca cometer um erro, já podemos esperar não cometer sempre os mesmos, sendo sinal de evolução.

Quem arrisca, quem inova, também cometerá erros, mas estes advirão de desafios e da procura permanente de resolução de problemas. Assim se aprendem coisas novas, se evoluem em mais campos e nos tornarmos mais completos e maduros.

Se dois erros não fazem um acerto… também é certo que quem não arrisca, não petisca… e quem não tem medo de errar, muito mais que outros aprenderá!

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

QUAL A LEGITIMIDADE DA DISCIPLINA DE VOTO PARTIDÁRIA? (II)

Nas eleições legislativas, nós, cidadãos, votamos em deputados individualmente para nos representarem. Embora estejam, naturalmente, comprometidos com o programa eleitoral consensual do partido a que pertencem, tudo o resto cabe ao seu juízo de consciência. Ou seja, aqui entram os valores que cada um defende para a sociedade enquanto cidadão eleito para pensar pela sua cabeça!

Nesta perspectiva, seria, portanto, óbvio, legítimo e legal que qualquer deputado exercesse o seu direito de voto na Assembleia da República segundo as suas opiniões sobre cada tema. No entanto, surge o choque com a realidade: disciplina de voto implementada pela direcção de uma banca que impede os seus deputados de votar consoante as suas reais convicções.

Adoptando uma postura um pouco mais compreensiva, poderíamos até respeitar as posições consensuais dos partidos, se estes as debatessem real e abertamente nos seus congressos, coisa que não acontece, servindo apenas para agitar bandeiras quando dão as 20 horas de horário nobre de televisão...

Correndo o risco de ser algo redutor: faz algum sentido, num país com um sistema supostamente democrático, que um deputado seja obrigado a votar “não” quando a sua opinião é “sim”? Gostaria de saber se os deputados socialistas (assim como de qualquer outro partido) que deliberada e conscientemente ignoraram a ordem de disciplina partidária vão ou podem vir a ser punidos…

Como é possível um político manter-se íntegro e sincero nos valores em que acredita quando é assim manipulado com um simples fantoche? Quem é que aguenta? Se calhar ninguém!... Assim se afastam cidadãos que poderiam trazer verdade e transparência à política. Já os que aguentam e ficam tornam-se iguais ou mesmo piores dos que os manipulam: elevando os patamares da arte da hipocrisia, demagogia e politiquice cor-de-rosa. É que só assim conseguem sobreviver nesta selva de interesses descarados…

Concluindo, certamente que nós, cidadãos, não votamos para que o deputado que nos representa a nossa zona geográfica seja um “Maria vai com as outras” que levanta o braço como um robot, se os colegas o acordarem da sesta; que lê o jornal desportivo na “seca” dos debates, murmurando que “o que era bom eram uns seis mesitos sem democracia”; que, quando um seu colega fala ao microfone, repete com ar sério até à exaustão, qual canção de infância, “Muito bem, muito bem!”; que “pica o ponto do dia” e vai à sua vida pré-eleitoral, baldando-se a comissões e inquéritos; que à sexta-feira vai mais cedo de fim-de-semana algaraviado logo a seguir a aprovar decisões para o resto da população apertar o cinto e trabalhar “como deve ser” (semana das 65 horas, congelamento de salários, facilitismo na obtenção anos de escolaridade, ordenados chorudos de grandes cargos de confiança política, salvação de bancos de multimilionários em risco, etc).

Às vezes, mete dó reparar nas excursões escolares de crianças que vão à Assembleia da República ver estes tristes exemplos, para quando os miúdos forem grandes… serem iguais a eles?

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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QUAL A LEGITIMIDADE DA DISCIPLINA DE VOTO PARTIDÁRIA? (I)

Recentemente foi apresentada, para votação na Assembleia da República, uma proposta que defendia a legalização dos casamentos entre casais homossexuais, suscitando a questão da legitimidade da chamada disciplina de voto dentro dos partidos.

Esta proposta foi chumbada com votos contra da maioria das bancadas parlamentares do PS, PSD e CDS/PP. Houve, no entanto, votos favoráveis apresentados por alguns deputados das primeiras duas bancadas, sendo que, no caso do PSD, a liberdade de voto foi decidida. Já no caso da bancada socialista imperou a então chamada disciplina de voto.

Este último ponto constitui-se num episódio caricato e, a meu ver, grave. Segundo consta, pelo destaque que foi dado por alguma comunicação social, dentro da bancada do Partido Socialista, existiu acesa discussão, visto vários deputados terem opiniões distintas sobre a matéria a ser votada na Assembleia da República.

Foi decidido pela direcção daquela bancada que existiria disciplina de voto, reprovando a proposta apresentada e apoiada pelos partidos à esquerda do PS. Esta posição impediu, consequentemente, qualquer deputado de ter uma votação diferente, mesmo que a sua opinião não fosse aquela.

Foi definida apenas uma excepção, sustentada em critérios mal explicados, para o presidente de Juventude Socialista (organização que defende esta matéria há alguns anos, como inclusivamente chegou a constar no programa político de uma das legislaturas do então primeiro-ministro socialista Eng.º António Guterres).

Ora, acontece que, nas eleições legislativas, cada eleitor vota, não para eleger um primeiro-ministro, não para eleger uma bancada partidária, mas sim para escolher o deputado que entende melhor poder representar a sua região (no nosso caso Coimbra) na Assembleia da República, constituindo, desta forma, uma amostra representativa da população portuguesa.

Portanto, quando votamos nesse deputado temos (ou teríamos…) de ter em conta as suas opiniões próprias e não a sua mera subjugação à vontade da direcção do partido a que pertence (embora eu duvide que muita gente, na qual me incluo, saiba o nome dos deputados eleitos que representam a nossa região).

No entanto, se assim não fosse assim, bastaria estar na Assembleia da República um deputado por cada partido, possuindo uma ponderação de voto diferenciada, conforme as percentagens obtidas nas eleições, em vez de todo o grupo representativo de cada uma das regiões portuguesas! Ora, isto não é obviamente o que está previsto no nosso sistema democrático…

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ESCLARECER PELO DIREITO A SEREM FELIZES

É curioso quando ouvirmos dizer, em tom de verdade absoluta e fatalista, que as pessoas não querem ou não conseguem digerir mudanças de mentalidades (quando o assunto é demagogicamente “complicado”), adoptando quem assim o entende uma postura paternalista do povo, infantilizando as pessoas e legitimando a “preguiça” no seu esclarecimento.

Consequência desta atitude simultaneamente atemorizadora e medrosa, há assuntos que são apresentados à opinião pública de uma forma quase já previamente assustadora, refugiando-se depois o tema, por enquanto, numa questão técnica ou seja ainda não digna de debate aberto e popular ao comum dos mortais.

Assuntos como casamento entre casais homossexuais, aborto, eutanásia, nacionalizações na década de 70, entre outros foram ou são recebidos pela classe política do centro com um imediato torcer de nariz por não se entender ou por não se querer entender ou por receio que a maioria das pessoas não entenda e se vire contra quem quis esclarecer e falar abertamente. Enfim, tem-se medo de perder votos das camadas mais conservadoras e/ou mal esclarecidas nas próximas eleições…

E vai-se dizendo “nim” ou seja que é preciso um amplo e profundo debate na sociedade e conveniente consciencialização das massas (devo dizer que um eficaz meio para fazer este debate tem sido representado pelo brilhante programa de televisão de serviço público “Prós e Contras”).
Ora, é natural que as camadas abaladas nos seus privilégios ou crenças gritem de forma indignada o suposto ritmo acelerado das mudanças, acima de tudo, de mentalidades. E este facto aliados ao “nim” de muita gente influente e que se apresenta como “moderada” resulta no “fica tudo na mesma”.

Sucede então que a vontade dos chamados “moderados” é certamente contra a vontade de muitos deles, aproveitada e explorada com êxito por quem quer apenas obstruir no direito pela igualdade de tratamento e oportunidades. As consequências disso mesmo estão à vista hoje em dia, sobretudo para as camadas mais desfavorecidas da população e para o progresso social do país.

Simplesmente o atraso da consciência social não nos deveria “congelar”, numa altura em que estas temáticas já há algum tempo foram abordadas e decididas noutros países que podemos considerar como mais desenvolvidos, como a vizinha Espanha. Não devíamos considerar esse atraso de um modo estático, paralisante, fatal, mas antes levar-nos a intensificar as tentativas de consciencialização e esclarecimento da sociedade portuguesa.

Concluindo: a diferença está na forma como é encarado o atraso da consciência social. Os “moderados” consideram-no quase fatalisticamente como obstáculo às transformações pelos direitos humanos e pela igualdade de tratamento e de oportunidades para qualquer cidadão.

Outros querem declaradamente reforçar esses atrasos e desconhecimentos atemorizados e/ou conservadores (entre estes estão concerteza muitos supostos “moderados”).

Mas há quem veja o atraso da consciência social como um desafio à nossa capacidade mobilizadora e esclarecedora sobre estes e muitos outros assuntos. Também no caso do casamento entre casais homossexuais, há que esclarecer pelo direito a serem felizes…

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

RECUPERAR A RÁDIO DE CANTANHEDE!

Como podemos facilmente constatar ao sintonizar na frequência 103.0 Mghz num qualquer aparelho de rádio, a Rádio de Cantanhede já não existe. Bem, não o seu nome, pois aí podemos ouvir a Rádio Best Rock FM ou outra, com sede em Lisboa e emitida a partir de Coimbra, onde por vezes o locutor anuncia 103.0 Cantanhede! Depois ouvindo melhor o seu conteúdo confirmamos que já não é mesmo a Rádio de Cantanhede, pois na sua programação não há quase nada sobre o nosso concelho! Trata-se apenas de mais uma rádio de música rock e pop como uma qualquer RFM ou Comercial, ou seja apenas mais uma. Mas então como foi que isto aconteceu?

Segundo consta, há uns anos atrás a Rádio de Cantanhede foi vendida (isto é, o seu sinal 103.0 Mghz) ao grupo Media Capital (dono da Rádio Best Rock FM), porém a produção regional de conteúdos para a rádio teoricamente ficava protegida pela lei ao abrigo da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

Segundo a Lei que protege (ou deveria proteger) as Rádios Locais, num processo em que uma Rádio Nacional adquire a uma Rádio Local, os direitos sobre o usufruto da frequência (certos comprimentos de onda que sintonizamos no nosso aparelho de rádio para apanharmos o sinal 103.0 Mghz) implicam que 8 horas diárias de emissão sejam obrigatoriamente criadas e difundidas a partir da região da rádio local com programação criada, proposta e ligada a essa região.

Em termos legislativos, parece fazer todo o sentido, pois desta forma poderia garantir-se o espaço para o aproveitamento da potencialidade e riqueza regional na rádio e nos seus contributos (pois não é só em Lisboa que existe criatividade e qualidade...). A Lei obriga também à divulgação desta oferta através de anúncios na imprensa, que promovam a abertura e recepção de propostas por parte de qualquer cidadão, especialmente os pertencentes à comunidade onde estava sediada a rádio local, cujo sinal foi adquirido. Ora, isto é o que a lei diz...

E o que acontece hoje em dia realmente? Preparem-se! Sucede que, muitas vezes, as rádios nacionais compram o sinal das pequenas rádios locais e ludibriam a questão das 8 horas diárias prevista na lei. Criam uma programação já a partir da sede central da rádio nacional (no “nosso” caso Lisboa) e depois distribuem essas gravações para todas as pequenas rádios (entre as quais a “nossa”) que compraram. Estas gravações são passadas durante as supostas 8 horas de produção de rádio criadas a partir da rádio local! Assim, todos os sinais das pequenas rádios compradas, nestas tais 8 horas diárias, transmitem exactamente a mesma programação, isto é, exactamente as mesmas músicas, exactamente na mesma ordem, exactamente com a mesma publicidade e sinais horários tudo exactamente ao mesmo tempo!

Assim sendo, estas 8 horas acabam por ter uma linha quase exactamente igual à restante programação das restantes 16 horas diárias dessa rádio nacional, nem há diferença nenhuma! Ou seja trata-se apenas de uma rádio nacional, não de várias rádios locais. Estas foram reduzidas ao papel de meros retransmissores de sinal passando 24 horas por dia toda a programação desta rádio nacional! Esta é, infelizmente, a actual situação da “nossa” Rádio de Cantanhede!

Um outro pormenor curioso é o facto de a rádio nacional ter de publicar anúncios na imprensa (porque a lei obriga) a divulgar a abertura a propostas de programas, conteúdos e intérpretes (o que já o fez inclusivamente através deste jornal). Porém, quando surgem interessados as respostas são vagas e evasivas, os adiamentos de entrevista frequentes, fica a sensação de que, no fundo, se está a “engonhar” para não se dizer directamente que não se quer ouvir nem aceitar propostas para ocupar as tais 8 horas de programação local, que já estão ocupadas! E que eles pretendem que assim continuem...

Há que unir as gentes da nossa terra, dar um murro na mesa e dizer que se trata de uma enorme farsa que não podemos aceitar! Pois, o que ouvimos em 103.0 Mghz não é programação feita pela e para a região, mas sim programação criada em Lisboa ou Coimbra, apenas retransmitida em Cantanhede sem ligação efectiva com o nosso concelho! Atenção, não interessa aqui tanto encontrar culpados ou bodes expiatório, mas sim tentar trazer de volta a nossa Rádio de Cantanhede! Por que não constituirmos um movimento de cidadãos amigos de uma real Rádio de Cantanhede e tentarmos meter mãos à obra? Se todos puxarmos para o mesmo lado e surgirem ideias talvez seja possível fazer alguma coisa. Deixo o meu contacto.


vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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MOVIMENTO DE CIDADÃOS AMIGOS DA RÁDIO DE CANTANHEDE

Como podemos facilmente constatar ao sintonizar na frequência 103.0 Mhz num qualquer aparelho de rádio, a real Rádio de Cantanhede infelizmente já não existe…

A Rádio de Cantanhede tem um passado rico e saudoso. Quem não se lembra dos emotivos relatos de futebol, dos aguardados debates políticos, das enriquecedoras entrevistas às gentes da terra, dos programas de autor, das interessantes presenças das escolas, associações ou clubes em estúdio, da publicidade aos negócios locais ou mesmo dos divertidos discos pedidos com dedicatórias?

Em toda esta oferta, com algum amadorismo e amor à camisola, com coisas a correrem melhor e outras nem tanto, coisas que valeram a pena e outras que nem por isso, o que é certo é que se fez alguma coisa! Acima de tudo, pôde ser feito! As pessoas sabiam que se quisessem podiam fazer ou propor qualquer coisa à rádio. Tinham essa opção, o que não acontece agora, pois estamos (até agora...) de mãos atadas!

O que poderemos fazer? Cantanhede precisa de uma rádio presente que aproveite as potencialidades do nosso concelho, que as promova, divulgue e que reuna contributos de várias gerações para dar a conhecer, consciencializar, instruir, criar, inovar,

Poderia ser um bilhete de identidade regional, uma enorme ponte entre gerações de gente de todas as idades, formações, experiências que poderiam ter um espaço também. Para além da divulgação e explicação “terra a terra” inovações tecnológicas (por exemplo com o Biocant).

Há que ter em atenção que as potencialidades do nosso concelho são uma autêntica mina de ouro cultural e de envolvimento que podem ser aproveitadas numa rádio local. A rádio de tudo isto pode usufruir e estimular, constituindo um motor de envolvimento ao nível do que sentimos na Expofacic! Com a vantagem de que a rádio estaria presente durante todo o ano e não só durante dez dias que dura a feira! E já agora: não é realmente uma pena que a rádio regional oficial da Expofacic não seja de Cantanhede?

Perguntarão alguns se seria um projecto auto-sustentável dados os dificuldades financeiras que esta nossa pequena rádio teve no passado… Porém basta pensarmos na actual situação do nosso concelho ao nível de envolvimento das associações, freguesias, diversidade de empresas, publicidade, organização e promoção de eventos, versatilidade dos percursos escolares, ofertas culturais, preservação de tradições, grupos musicais, desportos praticados, etc para compreendermos que a Rádio de Cantanhede teria muito mais sucesso agora do que teve há 10 ou 15 anos atrás! O concelho simplesmente mudou, cresceu, uniu-se e ainda bem.

E que tal metermos mãos à obra? Este é o momento certo, há que o conquistar, há que recuperar a nossa rádio de Cantanhede! A criação de um movimento de cidadãos amigos da Rádio de Cantanhede seria o primeiro passo para todos puxarmos para o mesmo lado e surgirem ideias. Com muita vontade, talvez seja possível fazer alguma coisa. Deixo o meu contacto para todos os interessados em contribuir, apoiar, pesquisar, propor ou simplesmente estar a par do que poderemos fazer para o conseguir. Vamos lá tentar trazer de volta a nossa Rádio de Cantanhede!

vascoespinhalotero@hotmail.com
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sábado, 25 de outubro de 2008

DO ERRO À OPORTUNIDADE

No universo do trabalho, a detecção de um erro é um momento fulcral. Em primeiro lugar, na medida em que é naturalmente comum, pois errar é humano também nas organizações de qualquer parte do mundo, não só no nosso Portugal. Em segundo lugar, respostas a questões como “quem”, “o quê”, “como”, “o que levou a que ocorresse” ou “o que fazer no futuro” revelam-se decisivas para bem ou mal gerir um erro. Afinal como poderemos saber fazer as coisas como deve ser? Uma pequena pista poderá passar por distinguir quais as questões realmente importantes a abordar quando surge um erro…

Soluções? Despedir pessoas é aparentemente solução óbvia para qualquer “patrão-capataz”, que só aparece para “apontar dedos” quando há “asneira”. Seguindo esta via, é fácil culpar um trabalhador, num meio recheado de sábios chefes, que “lavam as suas mãos “ das responsabilidades das falências: “foi um azar”, “tínhamos muitos impostos”, “os salários deviam ser mais baixos, é só direitos e há por aí mão-de-obra mais barata”, “foi culpa concorrência com os países mais desenvolvidos que têm mais subsídios”, “os trabalhadores deviam era trabalhar mais horas” e por aí adiante…

No entanto, o sucesso e a sobrevivência das organizações tem sido feita, nalguns países de sucesso, onde se trabalha menos horas, mas com mais rentabilidade (onde não se trabalha mais - horas -, mas sim melhor), onde os salários são mais altos, assim como as medidas de protecção laboral e social, onde a carga fiscal é maior, mas rigorosa e de aplicação transparente, etc. Razões são várias, mas uma é fundamental: outra aposta na abordagem ao erro!

Vejamos, esta outra maneira de “reciclar” os erros assenta no incentivo que os gestores dão, no dia-a-dia de trabalho, aos trabalhadores para que estes, de forma interessada, responsabilizadora e até autónoma, imediatamente iniciem o processo de rever “à lupa” procedimentos que estiveram na origem de um qualquer erro.

Em soma: abertura e nada de dramas! Os líderes com esta visão perceberam as vantagens de uma cultura “anti - diz que disse”, já que aqui não há lugar para apanhar bodes expiatórios, nem para louvar peritos em “tirar a água do capote”… Estabelecendo e defendo estes valores, retira-se o palco às vazias actuações teatrais e ao seu peso em avaliações do desempenho ou “palmadinhas nas costas”...

E porque o fazem? Por serem líderes (de empresas, associações, clubes, partidos, governos, etc) mais bonzinhos? Ou por terem muito dinheiro e que não se importarem de o perder? Muito pelo contrário! Na actual sociedade capitalista, para o bem e para o mal, todos querem ganhar dinheiro. De uma forma muito simples: fazem-no sim simplesmente por que perceberam que a partir da análise do erro, muitas vezes, surge a inovação e com esta a melhoria dos resultados!

A diferença é notória: o “patrão-capataz” acha que a sua missão é “caçar” os erros ou melhor quem os comete, enquanto que o gestor do século XXI vê os erros (aproveitando a sua análise pelos seus colegas de equipa) como oportunidade para dar um “salto” inovador, que lhe permita ficar à frente de outros concorrentes: uma verdadeira “reciclagem” construtiva e sem dramas! Assim, também se conquista o “amor à camisola” dos elementos da sua equipa e não apenas o amor ao salário no final do mês.

Tendo em conta o peso do horário laboral, insegurança de vínculos e pressões transportadas para a vida pessoal e familiar existentes na sociedade de hoje em dia, acreditem que as pessoas sentem falta de se poderem identificar com algo, de agarrar qualquer coisa com unhas e dentes, confiar e lutar por um líder, entregar-se a uma equipa se… sentirem que são protegidas enquanto pessoas sinceras, humanas e com vida para além do trabalho, não escravos modernos…

Visto isto, se pensarem qualquer coisa do género “isso é muito bonito, mas isto está complicado”, pensem no que me disse há tempos um bom e sábio amigo, “é preciso transformar as dificuldades em oportunidades”.

vascoespinhalotero@hotmail.com

(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional

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