quarta-feira, 2 de junho de 2010

SIM, AS PESSOAS PODEM! (1ª parte)

Portugal, em particular, e o mundo, no geral, estão a atravessar uma época de crise que vai muito além da escassez de bens materiais ou recursos financeiros. Chega, aliás, a um nível que estava, desde há uns bons anos, adormecido no debate entre os cidadãos: o dos valores de base. Volta a falar-se finalmente dos alicerces em que fundamos a nossa democracia.

Afinal, o que é mais importante proteger numa sociedade? O que é vital para existir uma qualidade de vida global? Quais as prioridades para se ter um desenvolvimento sustentável e equilibrado? Que oportunidades e obrigações deve ter qualquer cidadão para desenvolver o seu projecto de vida?

É altura de mudanças, toda a gente o sente. Porém, pergunta-se: de que modo, por que vias, com que procedimentos, com que tipo de pessoas e com que cultura? “Como é que eu posso fazer alguma coisa?”

Pelo menos um resultado imediato é facilmente percepcionado: há mais reflexões, mais questões, mais vontade de contribuir e de fazer algo para melhorar a “nossa” vida. Mais garra para “dar a volta a isto”.

É hora do diálogo ser levado a sério, porque assim não se perde tempo, muito pelo contrário, evitam-se futuros atrasos que, no fundo, já eram previstos… Mais gente quer ouvir, expor e enriquecer ideias e projectos concretos e abrangentes e não apenas que se desenvolvam algumas “capelas” dentro da mesma sociedade.

Mais gente quer pensar no global! Mais gente quer lutar contra a presunção de que apenas alguns podem usar da palavra e que os outros são demasiado ignorantes ou ingénuos para o fazer.

As pessoas, mais que nunca, querem fazer parte de algo, pôr mãos à obra em equipa (pois dão-se conta nestes momentos que sozinhos não vão lá). Na minha opinião, é precisamente este “toque” que determina se uma decisão irá ter, no futuro, bons ou maus resultados, em termos de envolvimento social.

Agora, há que aproveitar! E para quê? Para fazer coisas pequenas, porque senão a malta não compreende? Não, nem pensar! Um projecto por mais complexo que seja pode ser sempre explicado de forma simples e sincera, quem disser o contrário não quer explicar nada! Sim, mas então aproveitar para quê? Não para projectos financeiramente faraónicos…

Aproveitar para, a partir das análises profundas sobre as várias matérias já efectuadas e metidas na gaveta (num hábito mesquinho que nos tem custado milhões ao longo da História), tomar decisões estruturais (e não superficiais ou remendadas…) de forma participada e com critérios claros e respeitados.

Sem dúvida, algo vai mudar, espera-se que mude (para) bem e que as pessoas façam parte das mudanças estruturais e não levem apenas com elas…

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
Leia todos os artigos na Internet em: www.dosonhoaoprojecto.blogspot.com

SIM, AS PESSOAS PODEM! (1ª parte)

Portugal, em particular, e o mundo, no geral, estão a atravessar uma época de crise que vai muito além da escassez de bens materiais ou recursos financeiros. Chega, aliás, a um nível que estava, desde há uns bons anos, adormecido no debate entre os cidadãos: o dos valores de base. Volta a falar-se finalmente dos alicerces em que fundamos a nossa democracia.

Afinal, o que é mais importante proteger numa sociedade? O que é vital para existir uma qualidade de vida global? Quais as prioridades para se ter um desenvolvimento sustentável e equilibrado? Que oportunidades e obrigações deve ter qualquer cidadão para desenvolver o seu projecto de vida?

É altura de mudanças, toda a gente o sente. Porém, pergunta-se: de que modo, por que vias, com que procedimentos, com que tipo de pessoas e com que cultura? “Como é que eu posso fazer alguma coisa?”

Pelo menos um resultado imediato é facilmente percepcionado: há mais reflexões, mais questões, mais vontade de contribuir e de fazer algo para melhorar a “nossa” vida. Mais garra para “dar a volta a isto”.

É hora do diálogo ser levado a sério, porque assim não se perde tempo, muito pelo contrário, evitam-se futuros atrasos que, no fundo, já eram previstos… Mais gente quer ouvir, expor e enriquecer ideias e projectos concretos e abrangentes e não apenas que se desenvolvam algumas “capelas” dentro da mesma sociedade.

Mais gente quer pensar no global! Mais gente quer lutar contra a presunção de que apenas alguns podem usar da palavra e que os outros são demasiado ignorantes ou ingénuos para o fazer.

As pessoas, mais que nunca, querem fazer parte de algo, pôr mãos à obra em equipa (pois dão-se conta nestes momentos que sozinhos não vão lá). Na minha opinião, é precisamente este “toque” que determina se uma decisão irá ter, no futuro, bons ou maus resultados, em termos de envolvimento social.

Agora, há que aproveitar! E para quê? Para fazer coisas pequenas, porque senão a malta não compreende? Não, nem pensar! Um projecto por mais complexo que seja pode ser sempre explicado de forma simples e sincera, quem disser o contrário não quer explicar nada! Sim, mas então aproveitar para quê? Não para projectos financeiramente faraónicos…

Aproveitar para, a partir das análises profundas sobre as várias matérias já efectuadas e metidas na gaveta (num hábito mesquinho que nos tem custado milhões ao longo da História), tomar decisões estruturais (e não superficiais ou remendadas…) de forma participada e com critérios claros e respeitados.

Sem dúvida, algo vai mudar, espera-se que mude (para) bem e que as pessoas façam parte das mudanças estruturais e não levem apenas com elas…

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

OS CANTANHEDES DA CIDADE (parte 3)

Devido ao rótulo elitista colocado (ou existente realmente) na geração jovem de Cantanhede dos anos 80 e 90 (ou pelo menos numa parte dela), algumas razões históricas concretas e muitas outras justificações baseadas no “diz que disse” serviram para solidificar de geração para geração este desconfiado “olhar de lado” para os meninos e/ou senhores da cidade.
Segundo estes pressupostos, as restantes freguesias do concelho não tinham na altura ou, porventura, nunca tiveram no passado grandes afinidades e motivos de simpatia para com Cantanhede, indo um pouco mais longe: para com os tais de quem se dizia “comerem da gaveta”.

Neste particular, algum humor é também necessário, no sentido em que, muitas vezes, perguntava-se a alguém de outra freguesia que dizia não gostar dos “Cantanhedes” o motivo de tal posição e as respostas sempre foram variadas: silêncio, episódios passados de pancadaria, atitudes, bocas ou troca de galhardetes mal resolvidos, encolher de ombros, “não sei, mas não gosto” ou evocação de motivos históricos do tipo “foi por causa disto” sem confirmação de factores anteriores ou paralelos…

Ao longo dos últimos anos, estas barreiras de preconceito, desconfiança e bairrismo invejoso entre “os de Cantanhede e os de fora” foram desaparecendo lentamente em grande parte devido, na minha opinião, a um evento que podemos dizer já marcar a história do nosso concelho: a Expofacic!

Repare-se que, no início desta festa, as pessoas de cada freguesia apenas iam às tasquinhas e stands das suas freguesias, mas ao longo dos anos as coisas foram felizmente mudando… A mistura de gentes começou, laços entre vizinhos (que mudavam de um ano para o outro para não criar zonas rígidas) foram sendo criados, amizades surgiram, trocas de jogadores da bola entre as equipas das terras foram sendo feitas, inclusivamente com… Cantanhede! Entre muitos outros pequenos, mas importantes exemplos.

A Expofacic teve o condão de criar um sentimento de orgulho dos munícipes pelo concelho de Cantanhede, por fazer-nos deixar de ter vergonha de dizer que somos do concelho de Cantanhede. Ora, consequentemente, foi diminuindo também o preconceito (com ou sem razões efectivas e mesmo justificadas) pelos “Cantanhedes” da cidade.

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

OS CANTANHEDES DA CIDADE (parte 2)

Relativamente à infância de toda esta geração dos anos 80 e 90, um factor interessante ocorreu: as saudosas férias desportivas que a Sociedade Columbófila Cantanhedense organizava! Que ninguém tenha dúvidas: esta iniciativa estruturante foi um pilar importantíssimo na formação de toda esta gente (na qual me incluo) que influenciou todos os contributos que esta geração teve (ou poderia ter tido), tem e terá na nossa sociedade!

Aliando educação, desporto, cultura, saúde ao convívio e boa disposição dos monitores, promovia-se uma aprendizagem fácil de valores de trabalho em equipa, espírito de camaradagem e gosto pela cultura geral nas suas várias vertentes e não apenas nas mais popularuchas.

É natural que os miúdos dessa época passem pela velha sede e se lembrem do papel fantástico que tiveram dirigentes e monitores tais como: Alberto Abrantes, Casas de Melo, Lurdes Silva, Dora Manso, Francisco Cristovão, João Barreto, Tó Vagos, Celsino, Carmo, Pedro Cardoso, Ferreirinha, irmãos Nogueira, Paulo “francês”, Clara Neves, Ferreirinha, entre muitos outros igualmente importantes.

Assim, foi a nossa infância na cidade de Cantanhede, mas depois, na passagem para a adolescência, uma brecha surgiu e não continuou esta fabulosa base que nos unia e misturava independentemente das nossas origens, gostos, descendências, moradas, turmas, etc.

O que faltou? Talvez causas mobilizadoras comuns ou uma cultura de participação em qualquer que fosse o evento desde que fosse levado a cabo por uma entidade de referência para todos nós. É certo que muitos andavam no futebol, na natação, entre outras modalidades desportivas ou passatempos, mas o que também é certo é que nada nos unia, não havia nada de transversal, coisa que já não sucedia nem sucede na maioria das restantes freguesias do concelho: quase todas têm uma associação à volta da qual toda a gente das várias gerações se une e participa nas várias actividades, mesmo naquelas de que nem toda a gente gosta!

Ora, em Cantanhede, resquícios de um bairrismo positivo, “à antiga”, no que respeita a existir um forte apoio dentro da sua comunidade e alguma riqueza cultural podia ser encontrado no “Bairro” de São João, mas que foi perdendo este fulgor devido à perda do seu adversário histórico que era o “bairro” localizado mais ao centro da cidade.

A meu ver, faltou isto mesmo à geração de Cantanhede dos anos 80 e 90… Julgo, no entanto, que quem passou a adolescência por estas bandas nos anos 80 foi ainda mais fustigado, pois se virmos bem: quase não ficou cá ninguém dessa geração, quase todos foram embora!

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

OS CANTANHEDES DA CIDADE (parte 1)

A infância e adolescência (ou juventude, como preferirem) são fases na vida de um ser humano muito importantes para o “limar” da sua personalidade, assumindo particular importância os valores da família, dos amigos e da comunidade local. Relativamente a este último pormenor, revela-se interessante analisar o caso da cidade de Cantanhede, mais propriamente das gerações (a que também pertenço) que aqui passaram os seus períodos de infância e adolescência durante os anos 80 e 90.

Comecemos pela adolescência. Estas gerações em Cantanhede dividiam-se em vários grandes grupos: os “meninos bem”, os “queques”, os “freaks”, a “malta do bairro” (de zonas mais desfavorecidas economicamente). As suas bases de inter-relacionamento pessoal eram estabelecidas em zonas distintas, casas de amigos e/ou cafés/bares onde só se atrevia a entrar pessoal dos grupos dominantes.

Na falta de maiores desafios, o “corte e costura” de gozo e maldizer por demais evidente era (e ainda é?...) a arma de defesa de cada grupo mais frequentemente utilizada. Assim se acentuavam as fronteiras com “os outros” e reforçava essa prática depreciativa como a típica e valorizada maneira de ser de toda a gente do grupo. Mesmo daqueles que com isso não concordavam, mas a quem o tempo acabava por dobrar. “Junta-te aos bons serás um deles, junta-te aos maus serás pior do que eles”.

Nestas guerras de protagonismos de bota-abaixo, o grupo dos “meninos bem” sempre deu as cartas mais altas, exibindo roupas de marca e apregoando as suas ligações familiares ou laborais às cidades de alto nível, enquanto marcas registadas do seu “pedigree” distinto do restante povo jovem de Cantanhede.

Ora, este grupo de pequenos “jet-set” acabou por ser apontado como prova cabal por quem acusava o pessoal de Cantanhede de revelar desprezo relativamente ao resto do concelho. Nesta imagem elitista se baseava o pessoal de fora da cidade para justificar a sua antipatia, não apenas por este grupo, mas por todos os “Cantanhedes” que assim eram colocados no mesmo saco, mesmo aqueles que pertenciam aos restantes grupos que não partilhavam as características do tal grupo das pompas e circunstâncias.

Ora, sucedia que toda esta malta dos vários grupos da cidade só se misturava quando abria um café ou bar novo. Aí, nesses momentos sentia-se ou fingia-se existir um espírito de comunidade entre a juventude de Cantanhede. Porém, no fundo, as coisas não passavam de sorrisos de circunstância entre quem fazia que não sabia quem era o outro ou abraços de aparente euforia de quem já não se via há muito tempo (como se não se cruzassem todos os dias na rua ou escola ignorando-se propositadamente ou não)…

Contudo as ressacas do normal dia-a-dia formatado e rotineiro nos tais grupos bem distintos acabavam rapidamente por chegar e tudo o resto pareciam partes soltas de um sonho de uma noite mal dormida… Tudo voltava ao piloto automático de altivez e isolamento chique, sem vontade de construir algo em comum com simplicidade e humildade.

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A ESTATÍSTICA NÃO ENGANA (parte 2)

Relativamente às frequentes reviravoltas nas posições defendidas pelos partidos antes e depois de estarem no governo, que comentários costumam surgir entre os cidadãos? Circunstâncias diferentes e compreensíveis dirão uns, incoerência dirão outros, fingimento de oposição em que as propostas dos dois partidos serão, feitas bem as contas, “farinha do mesmo saco” dirão outros ainda…

Não admira que as pessoas durante os mandatos digam que as coisas andam mal, que não gostam do governo, mas que não vêem alternativas e depois quando chega o circo das campanhas eleitorais: tudo esquecem.

De um certo ponto de vista, é até compreensível que memória se torne curta nos distraídos cidadãos quando são ofuscados com tanta diversão de marketing político contratado ao estrangeiro ou a artistas nacionais pagos a peso de ouro… Os profissionais da “névoa” na cidadania conseguem, mostrando um rebuçado, levar uma criança a cair do berço.

No meio de tudo isto, distinguir com critérios claros, fazer escolhas ponderadas e tomar decisões com base nas posições claras de cada oferta partidária transforma-se numa tarefa facilmente gozada ou catalogada de teimosa até o cidadão ceder e se deixar ir na corrente, qual “Maria vai com as outras”.

Até quando surgem escândalos que parecem revelar os podres de quem costuma deter o trono, as coisas já parecem banais, normais, habituais… No fundo, os cidadãos são levados a pensar que se tratam apenas de jogadas (umas mais, outras menos bem disfarçadas) que visam apenas e só proteger interesses financeiros de gente bem colocada juntos dos dois partidos do centro.

A maioria dos cidadãos já parece “educada” neste circo dos “chicos espertos” de pequena ou grande escala, conforme a sua manha para disfarçar ou o seu descaramento para exibir. Nesta efectiva realidade, onde ficam as palavras bonitas: cidadania, liberdade, respeito?

Assim sendo, poderemos chamar a este sistema: democracia? Neste ponto de vista, não será legítimo concluir que, ao longo destas últimas décadas, um só partido tem estado no poder? Pois as directivas e interesses que defendem os dois que se têm revezado parecem ter sido sempre as mesmas…

Não será possível chegar à conclusão de que, no fundo, quase sempre desde o 25 de Abril a democracia tem sido uma ilusão?

Não terão os cidadãos, pensando terem, ao longo de várias eleições, feito mudanças nos vários governos, terem afinal mantido no poder exactamente a mesma camada dirigente tal como acontecia nos tempos do antigamente?

Muita gente diz que se outros para lá fossem tudo seria igual, pois todos querem “poleiro”. Ora, por mais louco que pareça, quem o diz acaba por fazer com que exactamente os mesmos que têm estado no poder por lá vão ficando!

Assim, não seria a mesma coisa se nos dessem boletins de voto apenas com uma opção para por a cruzinha, pois acabamos por manter exactamente a mesma gente no poder?

Afinal, que diferenças teremos de regimes de partido único que existem noutros países no mundo e que criticamos ao ponto de apoiar invasões, bloqueios ou cortes de relações em nome de uma democracia? Democracia como a nossa? Não serão apenas os nossos espelhos com menos marketing e cordiais falinhas mansas?

Mas calma…

Não deveremos precipitarmo-nos a fazer futurologia e a tirar conclusões, mesmo se o passado parecer apontar para aí… Bem, mas vamos esperar pela estatística das alianças nas votações das propostas sobre as várias áreas estratégicas para o país ao longo desse mandato legislativo e depois, aí sim, tirar conclusões pela nossa própria cabeça.

Vejamos então se a maioria as propostas do agrado dos socialistas será aprovada com o aval do PSD, mesmo do CDS ou se, pelo contrário, este partido de esquerda moderada irá apresentar e/ou deixar passar propostas da concordância dos partidos à sua esquerda.

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo do Trabalho e das Organizações / Orientação Vocacional
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A ESTATÍSTICA NÃO ENGANA (parte 1)

Terminado o período de eleições legislativas, com a vitória não absoluta do Partido Socialista, é chegada a hora de este ouvir as outras forças políticas, restando saber quais as suas preferências em termos de opções de base para as áreas mais importantes do país.

Durante a campanha eleitoral, ao tentar marcar a distância relativamente aos partidos à sua direita e à teoria do possível bloco central com o PSD, os socialistas procuraram com sucesso passar a mensagem de uma esquerda moderada e confiável para governar. Esta foi a sua imagem de marca e terá sido essa a principal razão dos votos dos seus eleitores.

Ora, passada essa fase de definições e promessas, eis que chegam os grandes e cruciais momentos da apresentação de provas desta mesma identidade e postura concreta do agora governo eleito. A opinião pública aguarda para ver como serão então abordadas e defendidas algumas posições relativamente às áreas estratégicas que dominam os destinos do nosso país (educação, saúde, economia, cultura, segurança, finanças, etc). E como poderão os cidadãos verificar a forma concreta como as orientações de esquerda moderada são seguidas?

Uma solução poderá passar simplesmente pelo uso de um pouco de matemática, mais propriamente a estatística! Bastará ver no final do mandato com que forças políticas mais frequentemente se aliou o PS para fazer passar propostas na Assembleia da República: PSD, BE, CDU ou CDS.

Uma hipótese que se pode colocar é se se irá manter o costume que tem existido nas maiorias relativas quer de PS, quer de PSD: a esmagadora maioria das leis aprovadas terem o acordo decisivo destes dois partidos para poderem “passar”. Diz-se que tem sido por uma questão de responsabilidade…

Sempre que um destes partidos do centro está no poder com maioria relativa, quando chega a altura de decidir sobre os tais assuntos-chave há sempre um denominado de “consenso de Estado” ou “pacto de regime” e o acordo entre estes supostos arqui-rivais surge de forma tão “milagrosa” quanto frequente. Afinal de contas, parecem ter em atenção as mesmas prioridades e os (seus) interesses comuns…para o país.

Isto nos governos de maioria relativa… Pois, nos governos de maioria absoluta de um partido ou de coligação, o colega do centro que fica de fora mostra supostamente as suas “garras”… Senão vejamos: é curioso verificar que quando um destes partidos (PS ou PSD) está numa maioria absoluta sozinho ou em coligação recebe uma maior percentagem de votos contra do outro partido do “centrão” que está em princípio fora do poder.

Note-se, por exemplo, que, quando PSD e CDS formaram Governo, o PS votou, muitas vezes, contra propostas da coligação de direita, sabendo, claro, que os seus votos eram “inofensivos”, no sentido em que não evitariam a aprovação das propostas, situação que não sucede quando existe um governo sem maioria absoluta… Já depois quando os socialistas passaram da oposição para o governo, o que aconteceu? Pois é…

Lembremos apenas um exemplo entre muitos outros que poderíamos ter escolhido. O caso da aprovação do novo Código do Trabalho que tinha sido apresentada pela maioria absoluta de PSD / CDS e que recebeu um (aparentemente) indignado voto contra do PS. Porém, mais tarde, com a mudança de governo que se seguiu, esta visão do mundo do trabalho foi (surpreendentemente?) ainda mais reforçada com o aval do PS que agora tinha maioria absoluta!
Outro caso curioso foi o do TGV com o PSD a apresentar o projecto e depois, já na oposição, passar a ser do contra… Agora apenas podemos imaginar o que aconteceria se tivessem ganho as eleições…

vascoespinhalotero@hotmail.com
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