terça-feira, 17 de setembro de 2013
IR PARA FORA OU FICAR POR CÁ? (2ª parte)
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
IR PARA FORA OU FICAR POR CÁ? (1ª parte)
quinta-feira, 20 de junho de 2013
QUALIDADE DE VIDA E/OU FELICIDADE?
Os meios materiais, tecnológicos, sociais,
económicos, culturais, entre outros encontram-se associados por diversos
estudos a uma melhor Qualidade de Vida, encontrando-se os países nórdicos no
topo do ranking.
A organização participada, a cidadania ativa,
os sonhos que passam projetos, o pensamento associado à ação, a reivindicação
atenta, luta envolvendo perseverança e/ou a geração de envolvimento da
comunidade parecem ser características presentes (em termos gerais e não
esquecendo que cada pessoa tem a sua história) em indivíduos que vivem nestas
zonas.
No entanto, porventura demasiada concentração
em tudo isto pode fazer (embora não necessariamente) com que uma pessoa não
crie no seu círculo mais próximo as condições aparentemente mais simples para se
ser feliz enquanto pessoa… Alguns têm altas taxas de suicídio.
É importante referir que a investigação
científica (e também outras que não têm tal catalogação, mas que abrem vários
horizontes) sobre o conceito de Felicidade foca-se muito mais no prazer do gozo
da vida, no tranquilo aqui e o agora, em que os países da América Latina
parecem ser, segundo os dados analisados, os campeões. Vários estudos sobre
este conceito medem os diferentes graus através de perguntas tais como:
“Sentiu-se descansado ontem?”, “Foi tratado com respeito ontem?”, “Sorriu muito
ontem?”, “Aprendeu ou fez algo de interessante ontem?”, “Sentiu-se alegre e
feliz ontem?”.
Daqui decorrentes, encontramos muitos conselhos, de facto, práticos que parecem emergir como soluções concretas e agradáveis: a referência e o elogio direto sem intenção de contrapartidas a pessoas ou coisas de que/quem gostamos e orgulhamos, que nos fazem divertir, suavizar ideias; definir objetivos, valorizar pontos positivos e diferentes que sucederam, resolver de forma construtiva, criativa e simples problemas que se encontram no caminho com os recursos que se tem à disposição sem pensar nos que se gostaria de ter (retirando-lhes a carga de importância angustiante que lhes dá tanto peso porventura indevido), adotar hábitos de vida saudáveis, etc. No fundo, o foco principal parece estar, de forma concisa, na nossa esfera de controlo pessoal.
Contudo, eventualmente podem parecer (ou não)
alternativas pouco consequentes a nível imediato enquanto resposta a grandes ou
pequenas questões sociais e económicas… Mas o que é certo é que os estudos de
Qualidade de Vida nem sempre medem, querem ou acham possível medir estas
variáveis ligadas à Felicidade…
Isto pode fazer-nos compreender, em parte, por
que razão normalmente os países do norte da Europa são apontados como tendo a
melhor qualidade de vida e os países da América Latina como sendo os mais
felizes…
Por esta altura, talvez tenhamos mais questões
do que conclusões. Será que para sermos efetivamente felizes teremos que
abandonar o sonho de termos mais qualidade de vida ou a luta por não perder a
que ainda temos? A consequência de viver a nossa felicidade pessoal será forçosamente
tornarmo-nos passivos, escondermo-nos, resignarmo-nos,
desresponsabilizarmo-nos? Ou há mais opções?
Há que relembrar que indignarmo-nos,
protestarmos, lutarmos, envergonharmos os responsáveis têm sido formas
necessárias (talvez até justas), ao longo dos tempos, para atingir melhores
condições gerais de vida para a nossa sociedade. A Revolução Francesa é prova
de que o alcançar de um efetivo impacto social por estes meios é possível,
embora à custa de muito sofrimento também.
Porém, dado que estas causas sociais tão
abrangentes fogem (pelo menos em parte) à nossa esfera de controlo pessoal, acabam
por gerar muitas vezes emoções negativas frequente ou, quem sabe,
permanentemente. Então se seguirmos este trilho estaremos na prática a deitar
fora nossa chance de Felicidade?
Seguindo esta linha de raciocínio, talvez não
valha a pena lutar por grandes mudanças sociais justas se o que se quer mesmo é
ser feliz? Isso que fique para os outros que não se importam de ser… infelizes?
Por outro lado, podemos achar que quem pensa assim talvez viva bem a fazer férias de luxo num resort rodeado de bairros de miséria. Mas sejamos sinceros, será que a (in)consciência de “varrer para debaixo do tapete” permitirá a um ser humano ser efetivamente feliz? Ou será somente temporário, pois a nossa alma acaba por nos bater à porta, na forma de pesadelos, ansiedades, depressões, sintomas psico-somáticos, etc…
Mas não estar na linha da frente da luta pelas
grandes causas sociais pode não equivaler necessariamente a levar uma vida
fútil, materialista ou consumista. Talvez não se deva confundir alienação,
escapismo ou desresponsabilização com o direito da procura da Felicidade, pois
fugir ou evitar a dor não é seguramente a mesma coisa que estar tranquilo. Mas,
também aqui, como distinguir fronteiras por vezes tão ténues?
Ora, paradoxalmente (ou não) ao longo da
História, figuras como Mahatma Ghandi na Índia ou Martim
Luther King nos Estados Unidos da América provaram que as lutas por causas
sociais se podem fazer de muitos modos com enorme impacto na sociedade,
nomeadamente pela via pacífica através da desobediência civil não violenta,
baseada no argumento filosófico de que o cidadão só tem o dever moral de
obedecer as leis, se os legisladores produzirem leis justas.
Ao contrário da desobediência comum ou de um
mero ato de transgressão criminoso, a desobediência civil tem uma finalidade
social, constituindo um ato inovador, de caráter eminentemente construtivo e
não destruidor. Também aqui as fronteiras podem obviamente ser nublosas.
Concluindo, será que é inevitável termos que
escolher entre ser felizes e ter qualidade de vida? É que parece tão difícil quanto
inevitável conjugar na prática a Qualidade de Vida com a Felicidade. Com um
olhar pragmático, parece infelizmente impossível. Com um olhar utópico, parece,
sem dúvida, o caminho correto a seguir. Qual é o equilíbrio afinal?
Como diziam os vencedores do Festival da Canção
em Portugal de 2012, afinal “a luta é alegria”…
segunda-feira, 17 de junho de 2013
3. UMA PAUSA NO TEMPORAL (uma e outra perspetiva)
2. UMA PAUSA NO TEMPORAL (outra perspetiva)
1. UMA PAUSA NO TEMPORAL (uma perspetiva)
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
OS CANTANHEDES DA CIDADE
(parte 1)
Comecemos pela adolescência. Estas gerações em Cantanhede dividiam-se em vários grandes grupos: os “meninos bem”, os “queques”, os “freaks”, a “malta do bairro” (de zonas mais desfavorecidas economicamente). As suas bases de inter-relacionamento pessoal eram estabelecidas em zonas distintas, casas de amigos e/ou cafés/bares onde só se atrevia a entrar pessoal dos grupos dominantes.
Na falta de maiores desafios, o “corte e costura” de gozo e maldizer por demais evidente era (e ainda é?...) a arma de defesa de cada grupo mais frequentemente utilizada. Assim se acentuavam as fronteiras com “os outros” e reforçava essa prática depreciativa como a típica e valorizada maneira de ser de toda a gente do grupo. Mesmo daqueles que com isso não concordavam, mas a quem o tempo acabava por dobrar. “Junta-te aos bons serás um deles, junta-te aos maus serás pior do que eles”.
Nestas guerras de protagonismos de bota-abaixo, o grupo dos “meninos bem” sempre deu as cartas mais altas, exibindo roupas de marca e apregoando as suas ligações familiares ou laborais às cidades de alto nível, enquanto marcas registadas do seu “pedigree” distinto do restante povo jovem de Cantanhede.
Ora, este grupo de pequenos “jet-set” acabou por ser apontado como prova cabal por quem acusava o pessoal de Cantanhede de revelar desprezo relativamente ao resto do concelho. Nesta imagem elitista se baseava o pessoal de fora da cidade para justificar a sua antipatia, não apenas por este grupo, mas por todos os “Cantanhedes” que assim eram colocados no mesmo saco, mesmo aqueles que pertenciam aos restantes grupos que não partilhavam as características do tal grupo das pompas e circunstâncias.
Ora, sucedia que toda esta malta dos vários grupos da cidade só se misturava quando abria um café ou bar novo. Aí, nesses momentos sentia-se ou fingia-se existir um espírito de comunidade entre a juventude de Cantanhede. Porém, no fundo, as coisas não passavam de sorrisos de circunstância entre quem fazia que não sabia quem era o outro ou abraços de aparente euforia de quem já não se via há muito tempo (como se não se cruzassem todos os dias na rua ou escola ignorando-se propositadamente ou não)…
Contudo as ressacas do normal dia-a-dia formatado e rotineiro nos tais grupos bem distintos acabavam rapidamente por chegar e tudo o resto pareciam partes soltas de um sonho de uma noite mal dormida… Tudo voltava ao piloto automático de altivez e isolamento chique, sem vontade de construir algo em comum com simplicidade e humildade.
(parte 2)
Aliando educação, desporto, cultura, saúde ao convívio e boa disposição dos monitores, promovia-se uma aprendizagem fácil de valores de trabalho em equipa, espírito de camaradagem e gosto pela cultura geral nas suas várias vertentes e não apenas nas mais popularuchas.
É natural que os miúdos dessa época passem pela velha sede e se lembrem do papel fantástico que tiveram dirigentes e monitores tais como: Alberto Abrantes, Casas de Melo, Lurdes Silva, Dora Manso, Francisco Cristovão, João Barreto, Tó Vagos, Celsino, Carmo, Pedro Cardoso, Ferreirinha, irmãos Nogueira, Paulo “francês”, Clara Neves, Ferreirinha, entre muitos outros igualmente importantes.
Assim, foi a nossa infância na cidade de Cantanhede, mas depois, na passagem para a adolescência, uma brecha surgiu e não continuou esta fabulosa base que nos unia e misturava independentemente das nossas origens, gostos, descendências, moradas, turmas, etc.
O que faltou? Talvez causas mobilizadoras comuns ou uma cultura de participação em qualquer que fosse o evento desde que fosse levado a cabo por uma entidade de referência para todos nós. É certo que muitos andavam no futebol, na natação, entre outras modalidades desportivas ou passatempos, mas o que também é certo é que nada nos unia, não havia nada de transversal, coisa que já não sucedia nem sucede na maioria das restantes freguesias do concelho: quase todas têm uma associação à volta da qual toda a gente das várias gerações se une e participa nas várias actividades, mesmo naquelas de que nem toda a gente gosta!
Ora, em Cantanhede, resquícios de um bairrismo positivo, “à antiga”, no que respeita a existir um forte apoio dentro da sua comunidade e alguma riqueza cultural podia ser encontrado no “Bairro” de São João, mas que foi perdendo este fulgor devido à perda do seu adversário histórico que era o “bairro” localizado mais ao centro da cidade.
A meu ver, faltou isto mesmo à geração de Cantanhede dos anos 80 e 90… Julgo, no entanto, que quem passou a adolescência por estas bandas nos anos 80 foi ainda mais fustigado, pois se virmos bem: quase não ficou cá ninguém dessa geração, quase todos foram embora!
(parte 3)
Neste particular, algum humor é também necessário, no sentido em que, muitas vezes, perguntava-se a alguém de outra freguesia que dizia não gostar dos “Cantanhedes” o motivo de tal posição e as respostas sempre foram variadas: silêncio, episódios passados de pancadaria, atitudes, bocas ou troca de galhardetes mal resolvidos, encolher de ombros, “não sei, mas não gosto” ou evocação de motivos históricos do tipo “foi por causa disto” sem confirmação de factores anteriores ou paralelos…
Ao longo dos últimos anos, estas barreiras de preconceito, desconfiança e bairrismo invejoso entre “os de Cantanhede e os de fora” foram desaparecendo lentamente em grande parte devido, na minha opinião, a um evento que podemos dizer já marcar a história do nosso concelho: a Expofacic!
Repare-se que, no início desta festa, as pessoas de cada freguesia apenas iam às tasquinhas e stands das suas freguesias, mas ao longo dos anos as coisas foram felizmente mudando… A mistura de gentes começou, laços entre vizinhos (que mudavam de um ano para o outro para não criar zonas rígidas) foram sendo criados, amizades surgiram, trocas de jogadores da bola entre as equipas das terras foram sendo feitas, inclusivamente com… Cantanhede! Entre muitos outros pequenos, mas importantes exemplos.
A Expofacic teve o condão de criar um sentimento de orgulho dos munícipes pelo concelho de Cantanhede, por fazer-nos deixar de ter vergonha de dizer que somos do concelho de Cantanhede. Ora, consequentemente, foi diminuindo também o preconceito (com ou sem razões efectivas e mesmo justificadas) pelos “Cantanhedes” da cidade.





