terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

NÃO SEI, MAS QUERIA FAZER ALGO DIFERENTE (3ª parte)


Não é raro conhecermos casos de alguém que, citando alguns exemplos ficcionais, foi para médico, mas o que sempre gostou mesmo foi tratar das vinhas, de alguém que foi para informática, no entanto desde cedo demonstrou habilidade para costurar e criar roupa, de alguém que foi para contabilidade, porém há muito que adora pintar e outras artes, de alguém que foi para enfermeiro e que tem queda para a escrita ou teatro, de alguém está num banco adorando atividades ao ar livre, de alguém que foi meramente para “engenheiro” e que se delicia com trabalhos manuais com madeiras, etc.

Curiosamente, numa situação de crise económico-social, muitas pessoas têm que se dedicar a segundas vias profissionais, acabando por descobrir ou redescobrir alternativas viáveis em atividades para as quais, em crianças e jovens, já lhes diziam terem jeito. São estas as tais boas oportunidades (genuínas) que as crises trazem, fazem levar estas “maluquices” mais a sério e a dizer-lhes… sim.

É que no entusiasmo deste novo balanço vocacional, as renitências por preconceito ou estereótipo em assumir estes projetos de vida acabam por se desvanecer. Mais facilmente se defende um labor que não tem tanto (pretenso) estatuto social se for o caso, pois nesta fase já não se quer ser “doutor” nem “engenheiro” só por ser.

Já ouvimos dizer com orgulho ou naturalidade, sem complexos, “sou mecânico(a)”, “sou pintor(a)”, “sou costureiro(a)”, “sou jardineiro(a)” ou outra coisa qualquer, pois é o que se gosta de fazer e mai(s) nada!

Nalguns casos, a mudança é mesmo feita de armas e bagagens. Noutros casos conjugam-se atividades que já se faziam com estas novas ou reacendidas paixões que se podem consubstanciar num segundo trabalho / emprego ou num hobbie para os tempos livres.

Não deixo de pensar que o assumir, na idade adulta, destes sonhos ainda possíveis de realizar, pondo “mãos à obra”, é um ato de comunhão com o passado pessoal (muitas vezes longínquo, datando aos primeiríssimos anos de vida) de cada um e com as escolhas boas e más que se fazem. Não desistindo de ir construindo o seu percurso, porque se calhar era assim que tinha de ser…

Há quem diga que as “velhas” profissões estão a voltar, que a História é cíclica, que o tempo das “coisas de plástico” está a passar e que as pessoas preferem confiar no que é caseirinho. Talvez sim.

Eu considero que nos atuais movimentos de reorientação vocacional, para além do benefício para a própria pessoa, também a sociedade ganha. É que aprende-se a respeitar outras profissões, outras gerações, outros tempos e realidades, outros estilos de vida, outros passados, presentes e futuros…

Nesta perspetiva, o papel de cada um de nós para contribuir para a sociedade é olhar para dentro de si e (re)descobrir coisas para as quais tinha/tem jeito e fazer algo disso, fazendo o exercício de análise sozinho ou com a ajuda de amigos, família e/ou de um técnico profissional em entrevista e testes. Porque trilhar o seu caminho para ser mais feliz vale a pena…

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional

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