sexta-feira, 29 de novembro de 2013

FORMAS DE OLHAR O MUNDO (2ª parte)




Na minha opinião, no que respeita à forma como vemos e analisamos a dita realidade que nos rodeia, ninguém tem o poder / direito de julgar a fotografia que é tirada por cada pessoa num dado instante. Tudo (ou quase tudo?…) deve ser contextualizado, quer usemos as lentes da ciência, senso comum / empírico, tradicional, herança familiar, religião, espiritualidade, micro / macro do cosmos, entre outras formas.
Não deixa, de facto, de ser que lá está, seja esta visualizada consciente ou inconscientemente com “óculos” aparentemente racionais ou emocionais. Este respeito e tolerância são profundos e exigentes, sendo, muitas vezes, necessário respirar fundo para compreender os outros lados. No fundo, é a essência da nossa liberdade conjunta.
Mas e se entrarmos num exagero seguindo meramente uma das vias, seja a racional (Tipo 1) ou a emocional (Tipo 2)? E o que pode ser considerado um exagero? Se for uma vez, se for de vez em quando, se for sempre assim? Como e quem poderá avaliar isso e com base em que critérios? Tem a ver com a frequência da utilização de um tipo de “óculos” ou com as suas consequências? E quem tem o direito de o julgar? Apenas a própria pessoa?...
Ora, será importante não ceder à tentação de assumir um papel paternal, superior, formatador e/ou endeusado, não fazendo avaliações que possam ser preconceituosas a nível de estilos de vida e de crenças pessoais com que não crescemos nem conhecemos / compreendemos nesse dado momento. Julgo ser fundamental procurar não ultrapassar esta linha, pois cada pessoa tem (ou deveria ter numa sociedade democrática) o direito de viver a sua vida como quer. Afinal, será isso a efetiva liberdade…
Sendo assim, entre outras possíveis hipóteses, um dos critérios que poderá fazer sentido utilizar será o risco de vida e o sofrimento que a pessoa possa sentir. Se umas situações são claras e as próprias pessoas decidem que / quando precisam de ajuda, outras não serão tanto assim e poderemos cair no erro (seja por altruísmo desajeitado, seja por conservadorismo intrometido) de pedir ajuda por elas…
Efetivamente, os “óculos” do Tipo 1 (racional) e do Tipo 2 (emocional) parecem constituir-se, provavelmente, como duas visões imprescindíveis e complementares para se ser feliz e que poderão unir-se de modo tranquilo. No entanto, não poderá existir o risco ou receio de se anularem? Esta é uma questão muito interessante e desafiante.
Por vezes, o produto dessa conjugação é o conflito. Porém, poderá não haver razão para o temer, seja relativamente ao processo como ao resultado. Ele apenas sinaliza que se está no momento de encontrar um novo equilíbrio. Faz-nos verdadeiramente crescer ao termos contacto com estas duas formas de “sentir” a realidade. No entanto, cada pessoa deve ter o espaço para encontrar o (seu) ritmo mais adequado e aquele que se revelar mais confortável e tranquilizador / inspirador para si… Não é, de facto, possível preterir o Tipo 1 em função do Tipo 2 nem vice-versa.
Creio que o equilíbrio não poderá ser sinónimo de estar ali permanentemente num meio termo que nem é uma coisa nem é outra, só porque supostamente se “amadureceu” (como sucede a muitos adultos que, depois mais tarde, querem voltar a sentir emoções fortes durante anos adormecidas). Julgo que isso só por si ajuda, mas não basta para estar mais perto da saborosa utopia que é a felicidade ou a sua procura. Seguir esse caminho, pode tornar-se num pouco de tudo que acaba por ser quase nada, numa zona de ninguém, num abdicar de se sentir mais um pouco, num hábito de não ser… Não.
Neste equilíbrio racional / emocional, há que permitir-se a pesquisa mais profunda em ambos os campos. Não é suficiente que se faça apenas num deles, isto seria um naufrágio de curto, médio ou longo prazo. É, de facto, importante fazer algumas excursões individuais e/ou partilhadas mais longe, umas viagens tranquilas a cada um dos polos. Tudo isto regado com um genuíno sentido de humor relativamente a nós, aos outros e a tudo o que nos rodeia, assim se libertará eventualmente muita tensão. Mas será que também nos tipos de sentido de humor existirão diferenças de 2 ou mais tipos?...
E, afinal de contas, qual é o mal em imaginar, sonhar e criar? E qual é também o mal em ter os pés assentes na Terra? Não se trata, de facto, da diferença entre Bem e Mal (não entrando nas dicotomias Céu / Inferno, mas também não lavando as mãos como Pilatos, dizendo que é tudo igual e vai dar ao mesmo).
Compreendendo esta balança racional / emocional humana, podemos questionar onde fica o livre arbítrio e flexibilidade para se / quando quisermos mudar de “óculos”? Ou somos obrigados permanecer sempre com os mesmos olhos que nós supostamente escolhemos? Afinal, somos o que fazemos ou fazemos o que somos?

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional
Leia todos os artigos na Internet em: www.dosonhoaoprojecto.blogspot.com

FORMAS DE OLHAR O MUNDO (1ª parte)



Correndo o inevitável risco de ser demasiado redutor na tentativa indutiva de estabelecer um padrão, no que diz respeito a como o ser humano se relaciona com o mundo, parecem haver (pelo menos...) 2 modos de olhar para as coisas conhecidas e/ou desconhecidas, do micro ao macro, do concreto ao abstrato, do claramente visível ao resto…
Sublinho que eu (na verdade, acho que qualquer ser humano), por mais que tente (devido ao nosso diabinho Ego), não tenho o direito de ajuizar como errada qualquer uma delas. Porém, como diria uma grande amiga “no meu pouco entender”, parece-me que cada pessoa tem a sua análise racional / emocional, do que a rodeia num dado instante, “sintonizada” predominantemente num de dois tipos que a seguir tentarei apresentar. São dois tipos de “óculos” que uma pessoa coloca para analisar a realidade.
Com o Tipo 1 (racional), preferimos confirmar ou contestar factos com os conhecimentos disponíveis em termos de acesso já criados pela nossa ciência. Com Tipo 2 (emocional), preferimos procurar hipóteses baseadas em relações, suposições, especulações com provas que se podem confirmar ou não com a tecnologia disponível no momento (histórico, económico, político, até religioso se lembrarmos a Inquisição). 
Ora, se com as “lentes” do Tipo 1 ganhamos pragmatismo e sensatez, também poderemos, por vezes, cortar à partida algumas linhas de raciocínio mais desenvolvido, relacional e criativo. Na linha do Tipo 2, encontramos muitos génios injustiçados no seu tempo de vida (Galileu, Davinci, mesmo Einstein porventura ainda), na maioria "silenciados ou ridicularizados" por pessoas “sintonizadas” no Tipo 1 e também encontramos simples manipuladores ou verdadeiros charlatões (na maioria também desmascarados por pessoas “sintonizada” em 1). 
Qualquer um dos tipos tem claramente vantagens e desvantagens, sendo a grande variante a perceção do RISCO ou do que se entender por mais ou menos arriscado, em função das consequências negativas ou positivas que poderá trazer. É mais ou menos arriscado controlar ou soltar vivermos bem?
Podemos optar pelo Tipo 1 supostamente mais seguro, mas podendo cometer injustiças, crendo nós que temos toda a razão, ou podemos ficar no Tipo 2 supostamente mais incoerente, mas que também dá mais possibilidades de se fazer a diferença e dar saltos de conhecimento. 
Há que sublinhar que falamos de momentos de análise, que poderão, ou não, constituir algo mais enraizado, padrão e/ou regular. São momentos, minutos, instantes ao longo da vida de uma pessoa na maneira como analisamos situações. Optar consciente ou inconscientemente, num dado momento, por uma análise Tipo1 ou Tipo 2, poderá ser uma questão de vontade, (pre)disposição, somo de critérios ponderados, simples intuição ou enfim o resultado de um hábitos conscientes ou inconscientes já adquiridos ao longo da vida de uma pessoa e da evolução de espécie humana.
Não se trata de "uma pessoa ser assim e outra assado". Pode haver é mais espaço, tendência ou probabilidade para optar mais vezes por um caminho ou por outro... Mas e quando se opta claramente muito mais por um tipo do que pelo outro?
Ao longo dos tempos e de várias culturas, muitos nomes e descrições têm sido criados para separar as águas nestes dois polos de neurose / psicose, dedutivo / indutivo, prático / teórico, juiz / irresponsável, empreendedor / contemplativo, grave / agudo, dia / noite, etc…
Demasiado Tipo 1, tornamo-nos chatos, moralistas, cinzentos, juízes, supostos donos da razão única e óbvia (assumindo ou não a sua inquestionabilidade), cansativos, arrogantes no sentido de achar os outros maus ou burros. Demasiado Tipo 2, tornamo-nos divagantes, inconsequentes, pouco práticos, desorganizados, dificuldade na explicação simples por receio de ser redutor coisa que não querem, relaxados, preguiçosos com o argumento das várias perspetivas, arrogantes no sentido de achar os outros fechados e de vistas curtas.

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional
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terça-feira, 17 de setembro de 2013

IR PARA FORA OU FICAR POR CÁ? (2ª parte)



Indo para fora, há que optar por levar a família ou deixá-la no nosso país (seja a pensar em mais tarde se reunirem no novo destino ou no regresso a Portugal quando as coisas acalmarem).
Encontrar trabalho/emprego por conta de outrem parece ser a inevitável solução inicial numa aventura deste género por alguém de classe média e baixa (pois classe alta pode transferir ou investir numa área de negócio por sua conta) por intermédio de pessoas conhecidas ou pela internet.
Acresce ainda, dentro das ofertas de trabalho encontradas, a escolha do país de destino parece dividir-se entre duas grandes alternativas: ir para onde se possa ganhar dinheiro ou até muito dinheiro para trazer e gastar lá pouco ou mesmo apenas sobreviver (“estar lá sem lá estar mesmo”) ou então ir para onde a qualidade de vida também seja importante (“estar lá para viver bem”). Qualquer uma das alternativas pode ser ponderada em função ou independentemente de o plano ser ficar lá apenas por algum tempo, muito tempo ou o tempo que for preciso.
A integração e acolhimento no país de destino é também um ponto a ponderar com atenção e antecipação. Ocupar postos de trabalho que ninguém quer (como sucedeu com muitas vagas emigratórias portuguesas no passado) parece uma oportunidade mais tranquila logo à chegada, geralmente exigindo qualificações mais simples, embora normalmente seja mais duro para a saúde e menos rentável economicamente. Aparentemente não trará rivalidade ou inveja profissional, embora possa levar a uma vida de “pão e água” e isolamento em termos culturais, o que poderá dar origem a fenómenos de segregação e discriminação por parte da população de origem, sendo a nossa gente vista como cidadãos de segunda.
Ocupar postos de trabalho que cidadãos do país de destino também desejam é um fenómeno novo para a emigração em massa de população portuguesa, mas mais provável dadas as elevadas qualificações dos nossos ex-estudantes de ensino profissional e ensino superior. Com estes currículos e tendo em conta que as empresas (seja em Portugal seja no estrangeiro), podem querer pagar menos pelo mesmo serviço, poderá suceder que numa situação de emergência pessoal ou familiar o nosso emigrante aceite (ou sugira até) fazer trabalho que exija elevadas qualificações a um preço mais baixo do que o cobrado pelos cidadãos que já lá vivem.
Mesmo que o pagamento seja igual, existirá inevitavelmente rivalidade profissional com os técnicos dessas áreas que habitam na nação que acolhe. As reações podem ser várias. O recém-chegado pode predispor-se para fazer tudo e a que horas o que for preciso tornando-se um (auto)explorado para obter dividendos para comparações com os técnicos da mesma área que já lá estavam. Podem contudo querer ser tratado de forma igual, conseguindo-o ou não.
Se existir emprego e bom salário para a maioria, em princípio, tudo bem, se deixar de ser assim, problemas poderão surgir que podem levar a uma maior integração e união a nível de sindicatos e movimentos civis que juntem os novos e os que já lá estão na construção e reivindicação de equilíbrios sociais e laborais entre trabalhadores e patrões. Porém, outras consequências poderão ocorrer a nível de segregação e discriminação por parte da população de origem, podendo também (ou não) a nossa gente ser vista como cidadãos de segunda.

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

IR PARA FORA OU FICAR POR CÁ? (1ª parte)



Neste momento, em Portugal (embora não só) pessoas de várias idades e com ou sem família para cuidar têm de escolher entre ficar no nosso país e sair para o estrangeiro à procura de rendimentos para sustentar a sua vida. Uns vão por ambição de mais e de melhor, outros por mera sobrevivência, outros ainda por razões de saturação relativamente a mesquinhez de mentalidades…
Nestes momentos na vida de uma pessoa, tem-se mesmo de parar para pensar, analisar o presente e tentar prever cenários de futuro para tomar a melhor decisão ou, pelo menos, a possível, no que respeita às condições laborais. Por mais que deixemos andar a ver no que isto dá, com a conjuntura que atravessamos, a verdadeira questão, mais tarde ou mais cedo, tem que ser encarada de frente, assim como o fizeram no passado outras gerações : ir ou ficar?
Ficando cá, há que manter ou arranjar trabalho /emprego, num contexto de escassas oportunidades nos serviços e nas áreas de produção antigas e atuais. A (deixarmos) continuar este modelo de exploração definido nas altas esferas político-económicas, teremos que nos habituar a viver com salários progressivamente mais baixos, na lógica de “é assim e mais nada” em que “ou estás desempregado ou ganhas qualquer coisinha e já vais com sorte, pois senão há mais quem queira”.
Neste contexto, sindicatos ou a associações de luta por direitos civis e laborais, com todas as suas características organizativas e formas de luta mais ou menos eficazes, continuarão a ser a única ameaça a este sistema de medo (por isso são os maiores alvos de um maldizer mediático e cultural, carimbado por comentadores televisivos do regime…).
No fundo, estas organizações, com todas as suas virtudes e defeitos, ainda procuram, de forma genuína, que as pessoas se unam para terem força para reivindicar condições mínimas/dignas de trabalho e de vida e, por isso, são direta ou indiretamente atacadas… Ora precisamente, pertencer, apoiar ou sequer simpatizar com estes grupos poderá começar a ser (ou sempre terá sido?) assumido, abertamente ou não, por patrões como motivo de escolha para pôr gente de lado ou na rua e chamar outros mais caladinhos…
Com as medidas, propositadamente destrutivas, ordenadas pela troika e pelo Governo, o mercado interno português ao nível dos clientes usuais está a deixar de ser atrativo mesmo para os reis dos hiper-mercados, sendo que também e principalmente as pequenas e médias empresas do nosso país parecem ter que se resignar a uma sobrevivência sem horizontes com as infra-estruturas a ganharem pó. Para estes últimos a fuga aos impostos está a tornar-se “mais justificada” ou eventual e infelizmente mais necessária, mas já não tanto pelos motivos das últimas décadas: mais lucro para a expansão de luxos não declarados.
Parece uma triste sina para a vida futura em Portugal a previsão de que que tanto as pessoas com baixas como altas qualificações serão mão-de-obra barata para empresas exportadoras nacionais e, acima de tudo, estrangeiras.
Sim, tal como que sucedia na América Latina há alguns anos atrás (até os seus povos terem dito basta às medidas de cobrança de dívida pelo FMI, como nos fazem agora…) e sucede, hoje em dia, com a China, Indonésia, Rússia, Mongólia, entre muitos outros grandes multinacionais chegam para se instalar como santos milagreiros do progresso ou recuperação económica e geradores de emprego…
Feitas bem as contas, estas corporações saltam de país em país à procura de onde se pague pouco ou nada de IRC e outros impostos ao Estado, contrapartidas cada vez mais miseráveis para os seus trabalhadores por 10 ou mais horas de trabalho diárias, sem direito a fins de semana, a distâncias enormes de casa, ganhando meia dúzia de euros ou então meras senhas de alimentação…
Um novo tipo de escravatura começa a ser mais claramente assim percecionado por toda a gente, deixando de ser suposta teoria da conspiração esquerdista para passar a facto consumado, quiçá já resignado. As “corajosas” privatizações das nossas grandes empresas (que geram monopólios e não concorrência) e a vinda das empresas multinacionais, geradoras de emprego que devemos agarrar com “unhas e dentes” e receber de braços abertos, continuará a ser o tipo de investimento que os sucessivos Governos nos têm vindo a impingir como solução final e única para a saída da crise. Tudo isto celebrado como sucessos vitais para a tal salvação nacional...
De qualquer forma, para a nossa vida diária de cidadãos comuns, o desafio coloca-se em como gerir a nossa vida com menos dinheiro. A nossa criatividade para planear e desenrascar vai ser espremida ao máximo, assim como o risco de que o desespero leve à fuga para a criminalidade…
Claro que em contexto de crise também surgem outras oportunidades de trabalho/negócio/lucro. Obviamente mais para a classe alta que tem poder de compra de produtos/serviços que agora estão a preço de saldo (veja-se, por exemplo, a queda brutal dos preços da compra/venda de habitação…). Porém, a generalidade da nossa classe alta tem um baixo nível cultural e uma falta de visão global de qualidade de vida numa comunidade, que não apenas no “bunker” de Tio Patinhas em que quer viver, com as naturais consequências no tipo de investimentos que fazem e no capital que deixam parado.
De qualquer forma, é um facto que a crise económica e de confiança no investimento leva, por um lado, à destruição de várias áreas e, por outro lado, à abertura de espaço para a ascensão de outras. Quem “tiver olho” poderá descortinar oportunidades de negócio e de emprego para a classe média e baixa (embora bem menos e no fundo só para alguns destes).
No entanto o dinheiro que a este nível circula é bem menor e talvez a troca direta de serviços seja uma solução inevitável para fugir às armadilhas da ligação entre dinheiro e qualidade de vida e… felicidade?

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional
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quinta-feira, 20 de junho de 2013

QUALIDADE DE VIDA E/OU FELICIDADE?




Os meios materiais, tecnológicos, sociais, económicos, culturais, entre outros encontram-se associados por diversos estudos a uma melhor Qualidade de Vida, encontrando-se os países nórdicos no topo do ranking.
A organização, a cidadania, os sonhos em projetos, o pensamento associado à ação, a reivindicação atenta, a luta envolvendo perseverança, a geração de envolvimento da comunidade parecem ser características presentes em indivíduos que vivem nestas zonas, embora estando lá ou no caminho para lá chegar surgem frequentemente muitas pequenas ou grandes desilusões…
Demasiada concentração em tudo isto pode fazer (ou não necessariamente?) com que uma pessoa não crie no seu círculo mais próximo as condições aparentemente mais simples para ser feliz enquanto pessoa…
Noutra perspetiva, os estudos sobre o conceito de Felicidade focam-se muito mais no prazer do gozo da vida, no tranquilo aqui e o agora, em que os países da América Latina parecem ser os campeões. Vários estudos sobre este conceito medem os diferentes graus através de perguntas tais como: “Sentiu-se descansado ontem?”, “Foi tratado com respeito ontem?”, “Sorriu muito ontem?”, “Aprendeu ou fez algo de interessante ontem?”, “Sentiu-se alegre e feliz ontem?”.
Daqui decorrentes encontramos muitos conselhos de facto práticos parecendo emergir como soluções concretas e agradáveis: a referência e o elogio direto sem intenção de contrapartidas a pessoas ou coisas de que/quem gostamos e orgulhamos, que nos fazem divertir, suavizar ideias; definir objetivos, valorizar pontos positivos e diferentes que sucederam, resolver de forma construtiva, criativa e simples problemas que se encontram no caminho com os recursos que se tem à disposição sem pensar nos que se gostaria de ter (retirando-lhes a carga de importância angustiante que lhes dá tanto peso porventura indevido), adotar hábitos de vida saudáveis, etc. No entanto, eventualmente podem parecer (ou não necessariamente?) pouco consequentes a nível imediato como resposta a grandes ou pequenas questões sociais e económicas…
O que é certo é que os estudos de Qualidade de Vida nem sempre medem, querem ou acham possível medir estas variáveis ligadas à Felicidade… Isto pode fazer-nos compreender, em parte, por que razão normalmente os países do norte da Europa são apontados como tendo a melhor qualidade de vida e os países da América Latina como sendo os mais felizes…
Por esta altura, talvez tenhamos mais questões do que conclusões… Para sermos felizes teremos que abandonar o sonho de termos mais qualidade de vida ou a luta por não perder a que ainda temos? Indignarmo-nos, protestarmos, lutarmos, fazermos barulho, envergonharmos os responsáveis são formas mais do que justas e necessárias para atingir melhores condições gerais de vida para a nossa sociedade. A Revolução Francesa é prova de que o sucesso por estes meios é possível… No entanto, dado que estes fogem à nossa esfera de controlo pessoal conciso, geram muitas vezes emoções negativas frequente ou, quem sabe, permanentemente…
Mas, noutro ponto de vista, viver a nossa felicidade pessoal não será sermos passivos, escondermo-nos, resignarmo-nos, desresponsabilizarmo-nos? Mas Ghandi na Índia provou que também por estas vias se pode ter sucesso…
Será que é inevitável termos que escolher entre ser felizes e ter qualidade de vida? Como diziam os vencedores do Festival da Canção em 2012, os brilhantes e metafóricos “Homens da Luta”, afinal luta é alegria… Talvez seja por aqui o caminho a trilhar para o equilíbrio…

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

3. UMA PAUSA NO TEMPORAL (uma e outra perspetiva)



Há alguns meses atrás, devido a condições meteorológicas anormais que assolaram especialmente a Região Centro do nosso país, muitas áreas e populações ficaram sem luz, água, televisão, rádio, telefone fixo, telemóveis e internet durante alguns dias, nalguns casos semanas.
A precariedade da manutenção das estruturais técnicas e logísticas da nossa sociedade e/ou o poder da mãe natureza fizeram toda a gente sentir e pensar na fragilidade das condições de vida que usufruímos.
Por um lado, fez-nos pensar nas injustiças sociais em termos de acesso a recursos essenciais que permitam uma qualidade de vida da população e dos grupos económicos que com a “muleta” de políticos interessadamente obedientes reservam apenas para uma elite o que devia ser de todos.
Por outro lado, também nos permitiu dar o exemplo de como nos podemos aproximar mais uns dos outros como seres humanos. Não no sentido de intromissão ou invasão de privacidade, mas sim na perspetiva de que temos necessidades, anseios, pontos em comum, levando-nos a questionar o que será realmente mais importante nossa vida, o que nos fez/faz/fará felizes.
Seguindo esta lógica de análise, dois caminhos acabam por ser apontados a uma pessoa: lutar pelo que pensa que é justo socialmente para a comunidade/sociedade e/ou desfrutar tranquilo daquilo que na sua essência é e do que o rodeia.
Ora, tendo em conta a diferença, aparentemente grande, das emoções despoletadas nos momentos de luta social e nos momentos de desfrute pessoal, poderemos colocar a seguinte questão ou desafio: estas duas perspetivas distintas serão inconciliáveis? Serão água e azeite que não se pode/consegue misturar?
Teremos inevitavelmente que escolher um caminho ou outro se quisermos chegar a algum lado na vida? Será que quem luta por justiça se torna mais tarde chato, teimoso, intolerante, pouco aberto a novos caminhos, impossível de aturar e de acalmar? Será que quem desfruta tranquilamente se torna passivo, nada objetivo, alienado, desleixado, irresponsável, “deixa andar”, egoísta? Será possível participar em revoluções e também gostar de estar relaxado no sofá? Será isto demagógico ou coerente?
Apostar na luta pelos direitos civis (quiçá inútil…) ou numa felicidade individual (quiçá isolada…)? Este dilema remete um pouco para os estudos sobre os conceitos de Qualidade de Vida e de Felicidade. Sim, parecem ser coisas diferentes…

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional
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2. UMA PAUSA NO TEMPORAL (outra perspetiva)



Há alguns meses atrás, devido a condições meteorológicas anormais que assolaram especialmente a Região Centro do nosso país, muitas áreas e populações ficaram sem luz, água, televisão, rádio, telefone fixo, telemóveis e internet durante alguns dias, nalguns casos semanas. Apesar das graves e infelizes circunstâncias, porventura, por instantes, permitiu-nos também fazer uma pausa para refletir sobre o tipo de vida que fazemos e sobre como nos habituamos a relacionar uns com os outros e com o meio envolvente.
Obviamente que naquele terrível temporal uma espécie de nó no estômago surgiu ao darmo-nos conta da dependência absoluta de vários meios para fazermos qualquer coisa, para comunicamos, para…vivermos? Houve gente que passou muito mal e pior poderia ainda ter sucedido, mas esta consciência da nossa fragilidade abriu, por momentos, uma oportunidade…
Vejamos então. Naquela altura, temas de conversa que normalmente são sempre adiados e constituem a nossa base, por um lado, de falta de planeamento, análise, conhecimento racional sobre vários temas da nossa sociedade e, por outro lado, de relacionamento/valorização/preocupação genuína emocional de uns com os outros. Por exemplo, provavelmente lembrámo-nos das tragédias das chuvas na Madeira ou do rio Mississipi em Nova Orleãs e compreendemos melhor o sofrimento daquela gente…
Indo um pouco mais longe, tivemos oportunidade para refletir sobre até que ponto as condições / bens materiais em falta (luz, água, meios de comunicação, etc) eram efetivamente fundamentais, por comparação com outros com níveis de utilidade e prazer proporcionado de facto diferentes…
Não esquecendo a base que é a liberdade individual de escolhas / gostos de cada indivíduo (desde que não prejudique outro obviamente, cada um pode gostar do que lhe apetece) podemos parar para pensar no seguinte: nesta sociedade consumista em que se gera a necessidade de ter/comprar, até que ponto ao nos termos deixado levar nesta onda não ficámos frágeis, controlados, dependentes, mais amorfos, menos humanos e… infelizes?
É certo que talvez necessitemos efetivamente de algumas coisas matérias que temos e de outras que (ainda) não temos, especialmente nesta altura de escassez financeira. Porém, talvez não necessitemos de muitas das coisas que somos levados a adquirir, afinal de contas, quem não sentiu já isso ao voltar de um super-mercado cheio de compras inúteis que não tinha planeado fazer antes de lá entrar? No entanto, com certeza que gostaríamos de ter a liberdade de escolher e não de ter de cortar à força…
Ora, naqueles dias de tempestade, estas conversas surgiram, não de modo passivo a ver os ilustres comentadores na televisão, mas sim em casa com a família, amigos, vizinhos, meros conhecidos e/ou até estranhos que não se conhecia de lado nenhum. Por alguns instantes, todos sentimos que, de facto, estávamos no mesmo barco e aí foi fácil pensar no mais importante: a vida das pessoas em primeiro lugar (o que deveria ser feito prioritariamente, como deveria ser protegida).
Este debate genuíno, embora agoniado no momento, deu-nos uma oportunidade, para dar conta que uma democracia / cidadania popular, próxima, sincera e responsável é/seria possível ou, pelo menos, mais fácil…
O que aconteceu de especial na pausa do temporal então? As pessoas puderam, precisaram e quiseram estar juntas, a falar ou a partilhar silêncios, talvez, acima de tudo, pela companhia. Para pequenas ou grandes coisas, deu-se e recebeu-se ajuda de igual para igual e sem falsas caridades, não por para parecer bem ou fazer figura, mas sim porque fazia sentido.
As pessoas comunicaram, reagiram, fizeram algo em prol de toda a gente. Sim, foram soluções de “desenrasque”, mas também houve espaço para pensar como deveriam a casa, a comunidade e a sociedade ser devidamente planeadas e geridas em conjunto e para o maior benefício possível de todos.
Claro que temos de ter noção de que aquele momento (se é que de facto aconteceu) foi um rasgo disperso, não organizado nem consequente, pois tudo passa à medida que voltamos à dita normalidade… Com o tempo, todos voltámos à nossa “vidinha”.

vascoespinhalotero@hotmail.com
(*) Psicólogo das Organizações / Gestão de Recursos Humanos / Desporto / Orientação Vocacional
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1. UMA PAUSA NO TEMPORAL (uma perspetiva)



Há alguns meses atrás, devido a condições meteorológicas anormais que assolaram especialmente a Região Centro do nosso país, muitas áreas e populações ficaram sem luz, água, televisão, rádio, telefone fixo, telemóveis e internet durante alguns dias, nalguns casos semanas.
A precariedade da manutenção das estruturais técnicas e logísticas da nossa sociedade e/ou o poder da mãe natureza fizeram toda a gente sentir e pensar na fragilidade das condições de vida que usufruímos.
Fez-nos pensar quanto são, hoje em dia, essenciais estes recursos para uma qualidade de vida com dignidade e liberdade, aos quais terei efetivamente que juntar o acesso à saúde, à educação, à cultura.
Levou-nos a refletir também acerca da distância cada vez menor entre o não ter estas condições (momentaneamente como sucedeu com o temporal) e apenas as poder ter quando/se/quem as puder pagar…
Receio que para muitos de nós a perspetiva esteja a poucos passos de se tornar permanente, quer por motivos da vida de cada um, quer pelas regras de exclusão que estão a ser impostas pelas elites do poder mais ou menos sorrateiramente, mas de forma intencional, alegando o alibi da crise, à nossa comunidade.
Dirão alguns de forma ignorante e/ou demagógica “claro, queriam tudo à borla, não faltava mais nada”, esquecendo quem o faz que não falamos de luxos, nem de algo a que não deva ter direito quem paga os seus impostos!... Sejamos francos, os custos destas condições, oportunidades e recursos básicos têm subido a um ritmo cada vez mais veloz e parece, cada vez mais, estar próxima a hora em que apenas um pequeno grupo de privilegiados poderá aceder a estes “luxos”!…
Assim sendo, podemos ou até devemos questionar sobre se isto faz sentido e sobre quem decide o que é luxo e o que é do direito de todos, decorrente dos impostos que pagamos?
Facilmente concluímos que humanamente não é, de facto, lógico e que quem decide são os grandes grupos económicos privados nacionais e multinacionais sem qualquer tipo de moderação. Quanto aos políticos que têm estado no poder (através das nossas escolhas em eleições…) infelizmente não passam de meros porta-vozes ou seguidores de corrente que nas decisões efetivamente importantes fazem o que diretamente ou indiretamente lhes mandam…
E que objetivos têm estes grandes “monstros” económicos fora de controlo? Manipulação efetiva de mercados e retirada do controlo público dos recursos fundamentais de cada país. Num tom metafórico, ver a subida dos números dos seus lucros nos seus quadros de computador sem olhar o que se passa fora das janelas dos seus escritórios…
Não é a primeira vez na História do nosso planeta que assistimos a movimentos de manipulação política, militar e económica desta magnitude. Foram seguidos de reações corajosas e numas vezes recuperou-se algo, noutras vezes quase tudo, outras ainda deram em… Entre muitos fatores, um dos que mais fez variar o grau de sucesso nestas lutas foi a irreverência/criatividade das ações e a organização da população.
E agora?…

vascoespinhalotero@hotmail.com
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